Pariconha: dona da barraca é indiciada após raizada matar cliente


Uma feirante de 41 anos foi indiciada pela Polícia Civil de Alagoas por homicídio culposo e por seis casos de lesão corporal culposa, depois que a bebida vendida em sua barraca, na feira livre de Pariconha, no Sertão do estado, matou um cliente e intoxicou outras seis pessoas. O episódio aconteceu no dia 26 de julho, e o indiciamento foi confirmado pela corporação nesta quinta-feira (13).

A vítima fatal foi identificada como Gilberto Alves Vicente, de 36 anos. Ele passou mal durante a feira, chegou a apresentar uma crise e foi socorrido por uma ambulância até o Hospital Regional do Alto Sertão (HRAS), em Delmiro Gouveia, mas não resistiu. As outras seis pessoas intoxicadas também foram internadas e receberam alta ainda no mês de julho.

Segundo as investigações, todas as vítimas haviam consumido uma bebida alcoólica artesanal conhecida como "raizada" ou "Rapa de Pau", vendida na barraca da mulher indiciada. Exames do Instituto de Criminalística apontaram a presença de metomil, um inseticida agrícola de alta toxicidade, dentro da garrafa PET usada para guardar a bebida. A mesma substância foi encontrada nos materiais biológicos coletados de Gilberto e dos demais intoxicados.

O metomil pertence à classe dos carbamatos e age diretamente no sistema nervoso. A exposição à substância pode provocar náuseas, vômitos, diarreia, dificuldade para respirar, tremores e, em casos mais graves, levar à morte.

A apuração foi conduzida pelo 33º Distrito Policial de Pariconha, sob coordenação do delegado Eduardo Marques, e todas as pessoas envolvidas no caso foram ouvidas ao longo do inquérito. Com a investigação concluída, o processo segue agora para o Ministério Público, que vai analisar as provas reunidas e decidir os próximos passos.