Os dois principais personagens da sucessão estadual em Pernambuco compartilham a mesma dor de cabeça. A governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) revelaram, quase simultaneamente, o lado sombrio da ferramenta que ajudou a pavimentar suas projeções públicas. As redes sociais, antes vitrines de entregas e carisma moldado para engajamento, viraram guerrilha digital.
No começo deste mês, no Fórum de Lisboa, em Portugal, João Campos, em entrevista ao Congresso em Foco, denunciou o bombardeio de uma suposta “milícia digital”, movida a robôs e perfis inorgânicos. Acionou a Polícia Federal e declarou como mais importante “entender quem está por trás disso”.
Ontem, exatamente uma semana depois, Raquel Lyra seguiu roteiro idêntico em conversa com a CNN. Apontou baterias contra perfis falsos e narrativas difamatórias disparadas após o Instituto Datafolha apontar sua liderança na pesquisa. Procurou o caminho judicial.
O ambiente virtual, antes focado em humanizar os gestores e massificar ações, converteu-se em desinformação. João Campos, conhecido nacionalmente pelo domínio dessas plataformas, agora se diz vulnerável.
Raquel Lyra, que reformulou a comunicação para o embate, queixa-se de ataques à honra patrocinados por opositores interessados em “reocupar o poder”. Há inteligência artificial operando.
Sobram acusações mútuas sobre os autores dos disparos e ambos tentam se blindar. Mas nas urnas modernas, quem escolhe a arena do clique se sujeita à tirania do ataque.