Produtora de filme sobre Bolsonaro nunca lançou nenhuma obra, diz Ancine


A produtora responsável pelo polêmico filme "Dark Horse", que retrata a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, nunca lançou nenhuma obra no Brasil ou no exterior. A revelação foi feita pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) à coluna da jornalista Malu Gaspar, do jornal O Globo, e levanta novas dúvidas sobre o projeto, que já acumula uma série de irregularidades.

A empresa em questão é a Go Up Entertainment, de propriedade da jornalista Karina Ferreira da Gama. O cadastro da produtora na Ancine foi confirmado apenas em julho de 2025, e tudo indica que a empresa foi criada especificamente para rodar o longa. O dinheiro para a produção já havia começado a entrar em março de 2025, vindo de um fundo mantido pelo advogado Paulo Calixto, no Texas — dois meses antes de a empresa obter os registros formais na Ancine e na Receita Federal.

Outras duas empresas igada ao nome da produtora - a Go7 Assessoria e o Instituto Conhecer Brasil, indicadas pelo deputado federal Mário Frias (PL-SP) — também nunca registraram ou lançaram nenhuma produção em cinema, TV aberta ou fechada no país. Pior: desde janeiro de 2026, as duas estão com o cadastro suspenso na Ancine por falta de renovação de documentação, o que as impede de registrar obras, apresentar projetos ou pleitear qualquer financiamento público.

A Go Up, que está com o cadastro em dia, até agora não registrou o filme na Ancine. Sem o Certificado de Registro de Título (CRT), o lançamento comercial do filme em salas brasileiras está impedido. O ator Jim Caviezel, que interpreta Bolsonaro na produção, já anunciou estreia nos Estados Unidos para 11 de setembro de 2026.

O filme "Dark Horse" vive um turbilhão de polêmicas. Reportagens do Intercept Brasil revelaram que as filmagens foram realizadas no Brasil sem cumprir obrigações legais, sem vistos de trabalho para o elenco estrangeiro e sem garantias trabalhistas para parte da equipe brasileira. Além disso, o senador Flávio Bolsonaro e o deputado cassado Eduardo Bolsonaro tiveram seus papéis no projeto questionados publicamente — ambos negaram, mas depois recuaram parcialmente diante de documentos e contratos revelados pela imprensa.

O custo total da produção e pós-produção já chegou a US$ 13 milhões — o equivalente a R$ 65,7 milhões na cotação atual — segundo a própria Karina, que diz não saber quem são os investidores do projeto.