A Câmara do Recife rejeitou o Título de Cidadão do Recife ao ator, diretor, roteirista, produtor e músico Wagner de Moura, protagonista do filme O Agente Secreto, ambientado no Recife dos anos 1970. O o projeto de decreto legislativo (PDL) de número 1/2026 foi debatido durante reunião plenária nesta segunda-feira (27).
Mesmo recebendo 16 votos favoráveis e 7 contrários, a matéria foi rejeitada porque não alcançou a aprovação de 23 dos vereadores (quórum de 3/5). O PDL é de autoria do vereador Carlos Muniz (PSB) e foi aprovado na Comissão de Legislação e Justiça.
O projeto foi discutido pelo vereador Eduardo Moura (Novo), que criticou a concessão do Titulo de Cidadão e questionou os feitos de Wagner Moura para o Recife. “É um ator que fez um filme no Recife. Então vamos dar título de recifense a todos os atores que fizeram filme no Recife. Esse tipo de projeto que eu questiono: o que isso traz de benefício para a população?”, indagou o parlamentar.
Em sua fala, o vereador criticou os colegas, questionando a “preocupação” em dar título de cidadão ao ator, e ironizou o fato de Wagner morar fora do Brasil. Além disso, Eduardo afirmou que deveria ter uma mudança no Regimento Interno da Casa para que “certos tipos de ação totalmente políticas não acontecessem”.
“Se essa votação fosse feita com o povo do Recife, eu garanto que o povo não ia aprovar um negócio desse. Pelo contrário, ia haver uma enxurrada de questionamento e de crítica. Garanto. E se nós somos representantes do povo do Recife, acho que nós temos que representar o povo aqui. Então peço aqui a meus pares: votem não a isso. Porque é capaz desse voto ser aprovado e ele nem vim aqui buscar o prêmio”, discursou.
Após a fala de Eduardo Moura, o vereador Carlos Muniz defendeu o projeto ressaltando que a homenagem se dá pela interpretação do personagem Armando, protagonista do filme recifense. “Mais do que um thriller político, o longa demonstrou elementos da cultura, folclore e história da nossa cidade, que há muito fazem parte da nossa construção como povo”, relatou.
“Aqui, o personagem encontra o refúgio e uma cidade vibrante, com um povo acolhedor, plural, que reivindica seus direitos e mantém-se firme na busca por uma sociedade melhor”, afirmou o parlamentar. “Aclamado no mundo inteiro, o filme acumulou premiações em festivais de cinema e alçou o Recife ao topo da indústria cinematográfica mundial. Por sua vez, Wagner Moura imprimiu o DNA recifense em seu personagem”, continuou.