"O Agente Secreto": sessão inclusiva reúne espectadores, no Teatro do Parque, no Recife


Uma exibição especial do filme "O Agente Secreto" com recursos de acessibilidade reúne centenas de espectadores, no Teatro do Parque, bairro da Boa Vista, centro do Recife. O longa começou a ser exibido por volta das 10h30 desta terça (10). O cinema tem capacidade para 800 pessoas.
Para viabilizar o entendimento do público, durante os 158 minutos do filme, foram incluídos sistemas de audiodescrição, interpretação em Libras e legendas descritivas. Isso garante que pessoas com deficiência, idosos e o público em geral acompanhem a arte no mesmo ambiente.

Essa iniciativa é encabeçada pela Secretaria de Direitos Humanos e Juventude do Recife e busca fomentar a expansão cultural retratada em "O Agente Secreto", que foi gravado em diversos pontos históricos da cidade, inclusive na sede da Folha de Pernambuco, bem no coração da capital
“As pessoas que possuem deficiência podem assistir esse filme com quem não possui. A ideia é a gente fazer a inclusão da acessibilidade, mas também a inclusão social, porque temos aqui pessoas com situação de rua, 60+, das casas de acolhimento da prefeitura que talvez não tenham a oportunidade de assistir gratuitamente o filme sem esse projeto. É uma iniciativa pioneira, onde também estamos fazendo essa torcida para esse filme que vai trazer o Oscar para a gente”, declara o secretário de Direitos Humanos e Juventude do Recife, Diogo Stanley.
Teremos Oscar?
A junção do público para acompanhar o filme também se dá pelo fato de ‘O Agente Secreto’ estar concorrendo ao Oscar, no próximo domingo (15). Além de ser gravado no Recife, ele é dirigido pelo recifense Kleber Mendonça Filho e estrelado pelo ator  Wagner Moura. O prefeito João Campos (PSB), que acompanhou os primeiros minutos da sessão, afirma que deseja formar na cidade a maior torcida acessível em linha reta que o mundo já viu.

“A gente tem aqui pessoas que participam de atividades na cidade, no Compaz, clubes de idosos, além de pessoas com deficiência auditiva ou visual que estão participando de uma sessão inclusiva. Esse filme vai ganhar o Oscar para a nossa terra e nada mais justo do que fazermos uma sessão com acessibilidade para que as pessoas possam ver o filme antes da premiação. Temos pessoas da cidade toda. Elas estão muito felizes. Eu já assisti ‘O Agente Secreto’”, comenta.
“É um suco do Recife, na minha opinião. Quem é recifense se identifica com o [parque] Treze de Maio, ruas e bairros. Tem um significado diferente. Muitas pessoas aqui certamente não poderiam acompanhar numa sala de cinema e teriam alguma dificuldade em poder assistir uma sessão acessível, e aqui a gente está garantindo tudo isso”, complementa Campos.

Categorias que ‘O Agente Secreto’ concorre no Oscar
* Melhor Filme;
* Melhor Filme Internacional;
* Melhor Ator (Wagner Moura);
* Melhor Direção de Elenco.
A nutricionista Mayara Esteffany, de 27, tem baixa visão. Ela saiu do Prado, na Zona Oeste, para assistir ao filme. Ela guarda consigo boas expectativas sobre a história narrada na tela do Parque.
“Eu iria assistir no dia da entrega do Oscar [domingo, 15], lá na Praça do Arsenal, com o Conselho da Juventude. Minhas expectativas estão a mil. Eu acho que vai estar lotado lá dentro. Eu me sinto muito orgulhosa. É um filme que representa a gente”, diz ela.

Rebeka Cristine, 39, é surda. Ela mora na Boa Vista, perto do Parque, e se sente feliz e honrada com a oportunidade de inclusão. Anteriormente, ela já teve dificuldades para acompanhar uma sessão. Para conceder entrevista à Folha, ela contou com auxílio da intérprete de Libras Nadja Medeiros.
Eu assisti um filme quando era bem jovem. Tinha uns 15 anos. Não era acessível e nem tinha intérprete de Libras. Eu cheguei aqui, soube que a prefeitura tinha mais de uma intérprete e estou muito feliz por isso também. ‘O Agente Secreto’ tem a possibilidade grande de ganhar o Oscar. Eu acredito. Por isso que estou aqui, hoje, nessa torcida”, comenta.

Domingos Sávio, que é radialista, tem cegueira total. Contudo, já equipado com fone para auxílio, ele comemora a possibilidade de acompanhar e exalta a oportunidade de expandir a cultura local para todo o mundo.
“A pessoa com deficiência é muito ausente das telas e hoje a gente pode estar junto com vocês ou qualquer outra pessoa que enxerga, vendo e ouvindo através dos recursos de acessibilidade. É importante para a gente. Sem contar que esse filme leva a nossa cidade e o nosso estado para o Oscar. Vamos torcer para que tenhamos êxito e, sobretudo, que o filme represente bem o Brasil para o mundo”, destaca.