Padre na Paraíba Faz Acordo com MPF Por Falas Sobre Preta Gil


padre Danilo César, que cuida da paróquia de São José em Areial, na Paraíba, fez um acordo importante com o Ministério Público Federal (MPF). Com isso, ele evita um processo criminal depois de ter sido denunciado por intolerância religiosa.

As polêmicas declarações que levaram a essa situação aconteceram durante uma missa, transmitida ao vivo pela internet em julho de 2025. Na ocasião, o padre fez comentários sobre a cantora Preta Gil, que havia morrido por conta de um câncer colorretal, e também sobre religiões de matriz africana. O acordo foi oficializado pela juíza federal Cristiane Mendonça Lage.

Entenda as Declarações que Causaram o Problema

Durante a homilia, que pôde ser vista no YouTube da paróquia, o padre Danilo César fez associações entre a fé da cantora e sua morte. Ele perguntou:

"“Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?”"

 Em outro momento, ele se referiu a práticas de matriz afro-indígena com a frase:

"“E tem católico que pede essas coisas ocultas, eu só queria que o diabo viesse e levasse.”"

Essas falas rapidamente geraram revolta. O artista Gilberto Gil, pai de Preta Gil, chegou a mandar uma notificação para a Diocese de Campina Grande e para o próprio padre, pedindo uma retratação pública. A irmã da cantora, Bela Gil, também falou sobre o assunto quando as declarações vieram à tona. Além disso, a Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial, achou as falas preconceituosas. O presidente da instituição, Rafael Generiano, registrou um boletim de ocorrência por intolerância religiosa na época.

O que o Acordo Pede do Padre

Para que o processo não avance, o padre Danilo César se comprometeu a cumprir algumas tarefas. Entre elas, estão:

  • Fazer 60 horas de cursos sobre intolerância religiosa.
  • Escrever três resenhas à mão sobre livros que abordam o tema.
  • Pagar R$ 4.863,00 para a Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).
  • Participar de um ato inter-religioso junto com a Igreja Católica e representantes de religiões de matriz africana, em João Pessoa, na Paraíba. A família de Preta Gil será convidada para esse evento.

Ele tem até o fim de junho para entregar as três resenhas e mostrar que já fez pelo menos 20 horas dos cursos.

Importante saber: o padre também assinou um termo de confissão sobre a sua conduta de intolerância religiosa. Se ele não cumprir o que foi combinado no acordo, essa confissão poderá ser usada como prova em um novo processo contra ele, caso a ação penal seja reaberta.

Antes desse acordo com o MPF, a Polícia Civil da Paraíba já havia investigado o caso em novembro e não o havia indiciado, pois entendia que a conduta não se encaixava na lei da época. O Ministério Público Estadual (MP-PB) também acompanhava o caso, junto com o MPF.