Da periferia para o mundo: Uma revolução através da dança


A famosa filha de dona Aurenir Salviano e seu José Mariano, que conceberam sete(7) herdeiros, é Dançarina, Professora de Danças Populares, Produtora Cultural, Passista de Frevo, Coreografa e Orientadora Social, atuando no Núcleo de Assistência à Crianças e Adolescente – NUCA, do Bairro Mutirão em Serra Talhada. Formada em Educação Física, pela AESET/FAFOPST, sendo a 3ª filha do casal, vindo à luz do mundo no dia 28 de março de 1994 e foi registrada com o nome de Danielza de Sousa Mariano, porém, desde pequena passaram a chamá-la de Branca, ao se consagrar artista, ela adotou o nome de Branca Sousa.

Assim como a família seguiu aumentando, a menina foi crescendo em graça e beleza, passando a estudar na Escola Municipal Nossa Senhora da Penha, onde concluiu o ensino fundamental 1; já o fundamental 2 e ensino médio ela cursou na Escola Estadual Methódio de Godoy Lima.

“Iniciei minha vida artística no ano de 2006, no Grupo de Xaxado Maria Bonita, que era formado só por mulheres, isto através da minha prima Leandra Nunes, que é atriz e dançarina e recreadora. Nessa época ela era a coordenadora do grupo!”. Afirma a artista.
Nesse grupo ela aprendeu os passos do Xaxado, a dança criada e difundida pelos cangaceiros e cangaceiras nos sertões do Nordeste brasileiro. “Fui dançarina no Maria Bonita durante três anos, fiz muitas amizades. Uma dessas foi Iolanda Lúcia, através dela conheci o Ponto de Cultura Artes do Cangaço, onde eram ministradas aulas de danças populares, com as professoras Gorete Lima e Leidjan Dantas, que coordenavam o Grupo de Danças Gilvan Santos”. Relembra.

Seu destaque nas aulas do Ponto de Cultura, foi notado rapidamente, pois sua desenvoltura e cadência para absolver passos e evoluir nas coreografias chamava atenção. Pouco tempo depois, foi convidada por Cleonice Maria, coreografa e diretora do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião para compor seu elenco principal.

“Estou há 17 anos neste espetáculo potente, onde represento na dança a cangaceira Neném do Ouro, de 2015 a 2019 fui intérprete de Maria Bonita, ao longo de todos esses anos participo das oficinas de danças, teatro e muitas outras atividades que são fundamentais para minha formação profissional e melhoramento do meu condicionamento físico e entendimento do fazer cultural para além dos movimentos”. Resume a brincante da cultura popular.

“Desde 2009 integro o Ponto de Cultura Mistura Pernambucana, coordenado pelo Professor de Danças Populares Edilson Leite, apresentando diversos ritmos da cultura nordestina, no qual me sinto honrada em fazer parte, pois é o maior responsável pelo meu crescimento como dançarina, onde a cada ensaio e em cada apresentação descubro um pouco mais sobre as danças apresentadas esuas possibilidades de criação, além de testar constantemente os limites de meu corpo para transpor os passos, fazendo o espetáculo acontecer”. Ressalta ela cheia de alegria.


A Branca dançarina, encontrou nos passos e ritmos populares sua inspiração para a vida, descobriu-se uma profissional da dança. Trabalha desde 2012 ministrando aulas de danças populares, inicialmente no Grupo infantil da Fundação Cultural Cabras de Lampião (FCCL), hoje o Ponto de Cultura Herdeiros do Xaxado.

Através do Projeto Mais Educação e Novo Mais Educação deu aulas na Escola Irnero Ignácio (2014), Escola Municipal Nossa Senhora da Penha (2015), Escola Municipal Fausto Pereira, no distrito rural de Serra Talhada (Água Branca/Luanda), de 2015 a 2019, onde criou o Grupo de Danças Fausto Pereira, o qual continua em atividade, sob nova direção. Coordenou de 2016 a 2021 o Grupo de Xaxado Zabelê, formado por adolescentes de diversos bairros da cidade, recentemente o grupo foi certificado como Ponto de Cultura.

“Fundei, coordeno e sou a coreografa, desde 2021, do Grupo de Danças Arte e Movimento, que graças a sua atuação cultural na cidade e, a formação contínua com oficinas e apresentações em diversos eventos, cidades e regiões foi certificado em 2024, como Ponto de Cultura pelo Ministério da Cultura – MinC, sendo uma iniciativa cultural muito importante para Serra Talhada, voltada para a valorização das manifestações culturais, com foco nas danças populares e aulas de percussão para crianças e adolescentes. Com ritmos como o xaxado, frevo, maculelê, coco de roda, pastoril, ciranda, quadrilha junina, cavalo marinho, caboclinho, samba de coco entre outras”. Detalha.

A artista atua diretamente com projetos e ações educativas com frevo. Inicialmente como aluna no Curso “Transpondo o Passo”, incentivado pelo FUNCULTURA/FUNDARPE, tendo como idealizador o produtor Cultural Gil do Passo, que objetivou formar novos multiplicadores para o ensino da dança do Frevo na “Capital do Xaxado”, entre os meses de outubro de 2018 a janeiro de 2019. contando com vários Professores de Frevo do estado de Pernambuco. Já em 2020 foi convidada para participar como Passista de Frevo no projeto “Frevo: (Re)Construindo Memórias de Nossa Cultura”, no qual o principal objetivo era promover ações de salvaguarda do Frevo enquanto patrimônio cultural e imaterial da humanidade.


A iniciativa foi uma aula – espetáculo com passistas, orquestra e palestrante/mestre de frevo. Isso a fez compreender sua trajetória profissional e lhe trouxe uma transformação pessoal impactada pelos conhecimentos adquiridos. Encontrou no Frevo diferentes sentidos e valores; além das representações que configuram uma identidade para a população pernambucana. Desde então, a brincante participa das atividades voltadas para o frevo do sertão ao litoral. Viajando sempre a serviço da dança, na perspectiva da valorização e desenvolvimento profissional e, de sua sustentabilidade.

A iniciativa foi uma aula – espetáculo com passistas, orquestra e palestrante/mestre de frevo. Isso a fez compreender sua trajetória profissional e lhe trouxe uma transformação pessoal impactada pelos conhecimentos adquiridos. Encontrou no Frevo diferentes sentidos e valores; além das representações que configuram uma identidade para a população pernambucana. Desde então, a brincante participa das atividades voltadas para o frevo do sertão ao litoral. Viajando sempre a serviço da dança, na perspectiva da valorização e desenvolvimento profissional e, de sua sustentabilidade.

Integra com afinco a equipe de produção do Espetáculo O Massacre de Angico – A morte de Lampião, desde sua 1ª temporada em 2012; bem como, outros eventos de grande relevância para a “Capital do Xaxado”, realizados pela Fundação Cultural Cabras de Lampião (ora Pontão de Cultura, eleito em 2025), tipo, o Encontro Nordestino de Xaxado e o Tributo a Virgolino – A Celebração do Cangaço.

Em setembro de 2019 representou o Brasil com o Grupo de Xaxado Cabras de Lampião no Festival Internacional de Folclore Latino-americano na cidade do México, a turnê passou por diversas cidades mexicanas, incluindo Pachuca (capital do estado de Hidalgo).

“Participei da celebração dos 30 anos de história, resistência e muita cultura do Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, evento que aconteceu na programação do 31º Janeiro de Grandes Espetáculos, no Teatro Santa Isabel na capital pernambucana em 2025; me apresentei Festival Cabras de Lampião 30 anos de Xaxado, realizado no Museu do Cangaço, sede do grupo desde 2009”. Ressalta a dançarina.

Sua primeira viagem para Europa foi também, através de sua brilhante atuação no Grupo de Xaxado Cabras de Lampião, onde participou do FESTIVAL INTERNAZIONALE DEL FOLKLORE. no 67º CARNEVALE DI CASTROVILLARI, ITÁLIA, algo revolucionário e absolutamente inédito e extremamente positivo para o grupo e para os seus integrantes.

“A dança faz parte do que sou, é o que movimenta a minha existência. É parte fundamental da minha energia vital. Sou dança, não me vejo fazendo outra coisa. As danças populares causaram-me uma revolução e por ela, evoluo, driblo situações adversas e resgato pessoas em situação de vulnerabilidade. Dançar pra mim, é revolução, é resistência, é ofício, é militância”. Afirma nossa entrevistada com a satisfação de quem faz o que gosta e gosta do que faz.

Por Carlos Sett para o Blog