Câncer de pênis causou mais de 2,9 mil amputações no Brasil em cinco anos; Norte e Nordeste concentram casos


O câncer de pênis, apesar de ser um tumor considerado raro e amplamente prevenível, ainda provoca consequências graves no Brasil. Entre 2021 e 2025, mais de 2,9 mil homens precisaram passar por amputação parcial ou total do órgão em decorrência da doença, segundo dados do Ministério da Saúde compilados pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU).

No mesmo período, foram registradas mais de 2,3 mil mortes, com maior concentração de casos nas regiões Norte e Nordeste do País.

Especialistas alertam que a maioria dessas amputações poderia ser evitada com informação, prevenção e diagnóstico precoce.

“Apesar de ser uma doença amplamente prevenível, o câncer de pênis ainda provoca mutilações evitáveis todos os anos no Brasil, principalmente em decorrência do desconhecimento, do estigma e do diagnóstico tardio”, afirma o presidente da SBU, Roni de Carvalho Fernandes.

De acordo com a SBU, o Nordeste do Brasil figura historicamente entre as regiões com maior incidência de câncer de pênis no mundo.

A combinação de fatores como baixa condição socioeconômica, dificuldade de acesso aos serviços de saúde e falta de informação contribui para que muitos pacientes procurem atendimento apenas quando a doença já está em estágio avançado.

“As mortes por câncer de pênis ocorrem proporcionalmente mais nas regiões Norte e Nordeste. Embora os casos iniciais tenham alto potencial de cura, a demora para buscar ajuda médica pode levar à progressão da doença e até ao óbito”, explica Fernando Korkes, coordenador do Departamento de Uro-Oncologia da SBU.

Atenção aos sinais iniciais

O câncer de pênis é mais comum em homens acima dos 50 anos, mas pode ocorrer em faixas etárias mais jovens. Entre os principais sinais de alerta estão:

  • feridas que não cicatrizam;
  • sangramento sob o prepúcio;
  • secreção com odor forte;
  • alteração na cor ou espessura da pele da glande;
  • e aparecimento de ínguas na virilha.

Fatores como higiene íntima inadequada, presença de fimose, infecção pelo vírus HPV e tabagismo aumentam o risco da doença.

“Nenhuma ferida no pênis deve ser encarada com vergonha ou tratada apenas com remédios caseiros. Quanto mais cedo o homem procurar um urologista, maiores são as chances de cura e de preservação do órgão”, reforça Karin Anzolch, diretora de comunicação da SBU.

Prevenção ainda é o melhor caminho
A boa notícia é que o câncer de pênis pode ser prevenido com medidas simples, como a higienização diária do órgão com água e sabão, inclusive após relações sexuais; vacinação contra o HPV, disponível no SUS; uso de preservativo; e cirurgia para correção da fimose, quando indicada.

“A postectomia não é apenas uma cirurgia estética, mas uma medida comprovada de prevenção oncológica”, destaca Rui Mascarenhas, supervisor da disciplina de câncer de pênis da SBU.