Diante da repercussão, a Diocese publicou comunicado reafirmando o compromisso da Igreja com os princípios constitucionais.
“A Diocese de Campina Grande reitera seu compromisso com os direitos constitucionais da liberdade de crença e de culto, da igualdade e não discriminação religiosa, do direito à honra e à imagem dos mortos e do princípio da dignidade da pessoa humana”, diz o trecho da nota.
As declarações do padre Danilo César motivaram a formalização de um boletim de ocorrência por parte de pessoas ligadas a religiões de matriz africana. O caso segue sob análise das autoridades competentes.
Confira a nota
A Diocese de Campina Grande, representada por seu Bispo Dom Dulcênio Fontes de Matos, informa que tomou conhecimento da pregação feita pelo Padre Danilo César, na Paróquia de São José, em Areial – PB, no último Domingo, 27 de julho, bem como da repercussão nas redes sociais e na imprensa.
O sacerdote, através da assessoria jurídica, irá prestar todos os esclarecimentos necessários aos órgãos competentes.
A Diocese reitera seu compromisso com os direitos constitucionais da liberdade de crença e de culto, da igualdade e não discriminação religiosa, do direito à honra e à imagem dos mortos e do princípio da dignidade da pessoa humana.
A Igreja Diocesana de Campina Grande reitera seu papel na sociedade, conforme o ordenamento jurídico brasileiro, cumprindo sua missão de anunciar o Evangelho de Jesus Cristo.
Campina Grande, 30 de julho de 2025.
Entenda o caso
Durante a homilia de uma missa realizada na cidade de Areial e transmitida ao vivo, o padre Danilo César citou a morte da cantora Preta Gil de forma pejorativa ao criticar religiões de matriz africana. Ele ironizou uma suposta oração feita pelo pai da artista, o cantor Gilberto Gil, aos orixás.
“Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”
Em outro momento, dirigindo-se aos fiéis que recorrem a outras crenças.
“Eu só queria que o diabo viesse e levasse [esses católicos]. No dia seguinte, quando acordar com calor no inferno, você não sabe o que vai fazer.”
O vídeo da celebração foi retirado do ar do canal da paróquia após a repercussão negativa.
Ainda durante a missa, o sacerdote associou práticas de religiões de matriz afriacana à doença e à morte, relatando um episódio de uma mulher que teria consagrado a filha a “entidades desconhecidas”, e atribuindo a morte dela a essas práticas.
As declarações foram classificadas como discriminatórias e ofensivas por representantes de movimentos religiosos e culturais que atuam na defesa da liberdade de culto.