Preso às próprias armadilhas, o PT finge que pratica a democracia partidária quando atribui a grupos majoritários dentro do partido a prerrogativa de decidir sobre projetos políticos de grupos minoritários, como acontece com a possível candidatura da deputada federal Marília Arraes à Prefeitura do Recife.
O processo para definir o posicionamento do PT está em andamento mas o diretório municipal defende, abertamente, a manutenção da aliança com o PSB, deixando explícita sua rejeição pela candidatura da deputada federal, considerada a mais competitiva para enfrentar o principal concorrente do pleito, o deputado federal João Campos (PSB).
Bem, paralelamente, Marília, que reafirma a sua candidatura e espera o apoio do PT nacional, também criou o seu círculo vicioso. Quando se deixou rifar em 2018, desistindo de concorrer ao governo do estado contra a reeleição de Paulo Câmara (PSB), Marília deve ter presumido que em 2020 a pressão contra ela seria semelhante e com um agravante. Derrotada internamente em 2018, Marília chegaria enfraquecida no partido para a disputa de 2020 e ainda assim ela manteve o seu projeto.
A decisão do PT sobre o Recife envolve outras siglas como o PCdoB, que integra o governo Paulo Câmara com a vice-governadora Luciana Santos, presidente nacional da legenda. Até agora, portanto, nada de novo em relação a 2018, a menos que uma ambição ou uma articulação maior quebre esse círculo vicioso. Mas, ainda assim, Marília corre o risco de ser rifada novamente.
Ainda de férias, o senador Humberto Costa, principal liderança petista no estado, disse que o partido vai acelerar o processo sobre as eleições no Recife para “evitar o lenga-lenga” sobre uma possível candidatura do PT. A decisão deve ser anunciada em 1° de fevereiro, data da próxima reunião do diretório municipal do Recife. Humberto chega amanhã para a posse do diretório nacional em São Paulo.
Por Divane Carvalho/DP
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