Bruno Araújo será eleito presidente do PSDB e grupo de Doria ganha força


O ex-deputado federal Bruno Araújo será eleito nesta sexta-feira (31) presidente nacional do PSDB. Sob seu mandato, o partido viverá a transição do antigo para o “novo PSDB” encampado pelo governador de São Paulo, João Doria, e tentará deixar para trás anos de instabilidade interna.
A convenção nacional que acontece nesta manhã em Brasília deve anunciar Araújo, de 47 anos, como o 12º presidente do partido – todos homens até aqui. Bruno foi deputado federal por 3 mandatos e ministro das Cidades no governo Temer. Nas eleições de 2018, concorreu ao Senado por Pernambuco, mas ficou apenas com a 4ª posição diante das duas vagas em disputa.
A vitória de Araújo foi costurada por seu aliado mais poderoso, João Doria, que tomou o lugar de Geraldo Alckmin na forte zona de influência paulista do partido.
Governando o maior Estado do país, Doria se movimenta para se consolidar como o nome da sigla para a disputa do Planalto em 2022.
A luta pelo comando do PSDB está em forte ebulição desde 2017. O impeachment de Dilma Rousseff catapultou a influência do então senador Aécio Neves, que presidia o partido, mas o grupo do mineiro ruiu com a divulgação das gravações de suas conversas com o empresário Joesley Batista, da JBS.
Obrigado a se licenciar para cuidar de sua defesa, Aécio se viu alvo de fogo amigo de grupos tucanos que queriam que ele “submergisse”. A ala que cobrava uma autocrítica tucana teve suas intenções vocalizadas pelo senador Tasso Jereissati (CE), que assumiu a legenda e chegou a divulgar um vídeo em que dizia que “o PSDB errou”, entre outras coisas “ao ceder ao jogo da velha política”.
Aécio reagiu, destituiu Tasso e Geraldo Alckmin assumiu a sigla para ser um mediador. O sonho de calmaria teve um fim quando Alckmin não decolou na disputa pelo Palácio do Planalto em 2018 e amargou a 4ª posição na corrida, a pior da história do partido.
Com a ascensão de Doria, a linha de renovação deve se manter forte. Um novo Código de Ética foi aprovado e atende aos anseios do novo grupo por punições mais duras em relação a condenados filiados ao partido.
O novo Código prevê a expulsão de políticos condenados criminalmente ou que tenham cometido infidelidade partidária. Mas a máquina mineira já trabalha em prol de Aécio. A defesa do grupo é a de que os crimes pelos quais Aécio é acusado são anteriores ao Código de Ética e, portanto, não estariam sujeitos a sua régua.
O “fica ou expulsa” pode se tornar o novo ringue dos tucanos, que ainda decidem se mudarão de nome e se buscarão uma fusão com os “aliados históricos” – o principal deles o DEM – para retomarem o antigo poderio às vésperas das eleições municipais de 2020.