“Quente” para um lado; “Fervendo” para o outro


No primeiro debate na televisão, o governador Paulo Câmara começou indo para o ataque, apostando na desconstrução do adversário Armando Monteiro; mas depois optou por investir em dobradinhas com os demais postulantes sobre temas que são vitrines da sua campanha, como a educação e o investimento em obras hídricas, em uma tentativa de isolar o petebista.
Antes de iniciar o programa, a campanha do PSB avaliava como um trunfo a cobrança sobre os pontos específicos da reforma trabalhista que tiveram votação favorável de Armando no Senado, principalmente a regra que envolvia gestantes e trabalhos insalubres. O petebista, porém, tentou reverter o tema para cima do governador, ao lembrar o vídeo em que ele defende mudanças na legislação trabalhista.
“Reformas são importantes no Brasil. Mas eu nunca defendi essa reforma do presidente Temer. O Armando quer mais uma vez pregar uma mentira para o povo de Pernambuco. Com essa estrela que ele botou também para enganar o povo de Pernambuco. Com imagens de Lula que ele bota no seu guia. Todos nós sabemos que o presidente Lula me apoia. Com imagens que ele coloca de Eduardo Campos no seu guia também para confundir o eleitorado. Tudo isso mostra o despreparo do candidato para discutir Pernambuco, querendo enganar o eleitorado. Nós fomos contra a reforma trabalhista do Temer. Nossa bancada votou contra. Quem não votou contra foi expulso do partido”, afirmou Paulo Câmara, após o debate.
Na defensiva durante o debate, Paulo foi o único que ficou o programa inteiro atrás do púlpito, sem andar pelo estúdio. Ele permaneceu a maior parte do tempo sério e fez muitas anotações. Em diversos momentos, segurou uma caneta com as duas mãos, girando ela no ar, enquanto esperava para falar. E, vez ou outra, batia repetidamente com o polegar no lado do púlpito. O governador permaneceu todo o debate de pé. Ao lado de Armando, ele manteve o olhar sempre em direção à câmera.
O governador chegou acompanhado pela vice, Luciana Santos (PCdoB), e pelo candidato ao Senado Humberto Costa (PT). No auditório, o staff da campanha socialista vibrou quando Dani Portela insistiu no tema da reforma trabalhista com Armando.
Questionado se as cobranças por posições como o apoio a Aécio Neves (PSDB) em 2014 e a aliança com o PT agora poderiam atrapalhar, o governador buscou se contrapor. “Lógico que não. Ele está partindo para tudo ou nada. Para a agressão, para a baixaria, para a mentira. Isso faz parte do jogo eleitoral de quem está desesperado. Armando mais uma vez vai ter uma derrota eleitoral para um servidor público. Isso incomoda muito ele, ser derrotado por um servidor público pela segunda vez”, afirmou.
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