Com o PT prestes a definir, no próximo dia 12, como estará alinhado nas eleições deste ano em Pernambuco, o Movimento de Base (MoB) da legenda anunciou, nesta segunda-feira (30), o apoio à candidatura da vereadora do Recife Marília Arraes ao Governo do Estado. Na nota em que divulga a postura, o grupo rechaça a possibilidade do PT voltar a ocupar o mesmo palanque que o PSB no Estado e observa que Marília tem “sintonia com os preceitos e linhas programáticas” da legenda de reforçar a esquerda no país.
“Marília Arraes vem defendendo e lutando, acreditamos que sua candidatura representa ganhos políticos fundamentais na defesa do presidente Lula, diante de toda a perseguição que está sofrendo, e disputa pela narrativa de esquerda no Estado de Pernambuco e, sobretudo, pelo conjunto de ações planejadas que nos apresentou”, diz o texto, listando propostas apresentadas pela pré-candidata petista ao grupo.
Apesar da indefinição, a tendência que vem ganhando força na legenda, a partir da possibilidade do PSB também ter candidato à Presidência da República não apoiando o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), é de que o partido não firme aliança e concorra ao comando do Palácio do Campo das Princesas, contra o governador Paulo Câmara (PSB).
O que pesa contra o PSB de Pernambuco, de acordo com o MoB petista, é que ele “teve papel fundamental no apoio ao golpe”, como chamam o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). “O governador Paulo Câmara liberou todos os secretários (que tinham mandatos federais) para assumirem seus cargos a fim votarem a favor do ‘impeachment’ sem crime. Todos os deputados do PSB, bem como o então senador pelo PSB, Fernando Bezerra Coelho, votaram sim para o GOLPE [sic]”, argumenta o texto.
Outras práticas que, segundo o movimento, contribuíram para deixar o PSB oposto “aos ideais progressistas e democráticos do PT, impossibilitando qualquer reaproximação” foram o apoio do PSB no segundo turno das eleições de 2014 ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) inaugurando “um clima de agressões e ódio à Dilma e ao PT” e o fato de “outdoors e pichações em muros com a frase ‘O PT matou Eduardo’ se espalharem por Recife”.
Veja a nota na íntegra:
Apoio a Marília Arraes
MoB - Movimento de Base do PT
“A ousadia necessária rumo à mudança sempre que preciso.”
Nós, do MoB -Movimento de Base do PT, vimos a público nos colocar nossa posição em relação às eleições de 2018 em Pernambuco.
O Partido dos Trabalhadores passa por uma série de ataques jamais vistos a um partido político no Brasil desde a redemocratização. A perseguição ao PT ultrapassa os muros dos quartéis, adentrando nas casas e mentes da elite branca, rica e privilegiada, que jamais tolerou os benefícios que os governos do PT fizeram ao povo, dentro do país e até fora dele.
Nossa maior liderança está presa, vítima de uma perseguição política, através de um processo jurídico repleto de nulidades e arbitrariedades. Desde o início do GOLPE de 2016 assistimos o ódio crescer, alimentado por uma imprensa oligárquica e compromissada seus financiadores. Fomos atacados em locais públicos e não reagimos. Assim a direita fascista ganhou força e criou um estado de exceção, amparado por uma grande parcela do judiciário federal elitista, analfabeto político e messiânico. É neste cenário de exceção judiciária, política e dos meios de comunicação de massa que teremos (ou não) as eleições no ano corrente.
O GOLPE, com seus principais protagonistas: deputados, senadores, governadores, judiciário federal e meios de comunicação, trouxe profundos retrocessos sociais, políticos e econômicos à sociedade brasileira. Ousaram retirar direitos da CLT, algo tão brutal que nem a Ditadura Militar foi capaz tentar.
