Apesar de tantas marcas, a lesão corporal de Clara é apontada como leve, conforme o laudo pericial do Departamento de Polícia Técnica (DPT) entregue nesta quarta-feira pelo órgão à polícia.
"Verificamos as lesões para que fosse tipificado o crime e pedida a prisão preventiva, mas o laudo aponta lesões corporais leves e o crime leve tem uma pena de três anos de detenção. Nós só podemos requererer prisão preventiva com penas a partir de quatro anos. No entanto, no decorrer das investigações, analisando a possibilidade de outros crimes, com base nas novas investigações, pode haver a possibilidade de pedir a prisão preventiva dele", explicou a delegada Patrícia Jackes.
A delegada destacou, ainda, que Clara e os familiares estão sendo monitorados e, caso Filipe descumpra a medida protetiva, ele será preso. "Ele mora em Salinas da Margarida e ela mora em Muniz Ferreira com pai ela. Ela está sendo monitorada e está orientada sobre como agir caso ele descumpra a medida", disse a delegada.
Clara Emanuele Santos Vieira é filha do prefeito da cidade de Muniz Ferreira. Ela era casada com Filipe e como cursa direito em uma faculdade de Santo Antônio de Jesus, morava na cidade que fica no recôncavo baiano, com Filipe e o filhinho deles, de um ano.
A jovem denunciou ter sido torturada pelo ex-marido, em Santo Antônio de Jesus. Ao G1, ela contou ter recebido socos no rosto, teve os cabelos e dedos cortados. Segundo a vítima, o homem também agrediu o filho deles, de um ano, e pai dela, com spray de pimenta.
No Instagram, a vítima publicou imagens com hematomas no olho e disse que o celular dela foi destruído. A situação acabou gerando a campanha "#todosporclara" nas redes sociais.
Clara conta que, enquanto o ex a agredia, a acusava de traição. "Ele disse que eu tinha outro namorado. Disse que ia me deixar careca e que ninguém ia me querer. E que se eu tivesse outro, ia matar a mim e a ele", falou.
Durante a agressão, os vizinhos ouviram a discussão e chamaram a polícia. No entanto, Clara teve medo de fazer a denúncia. "Eu disse (aos policiais) que não estava acontecendo nada. Depois disso, consegui fugir para a casa de minha vizinha", conta Clara, que foi levada para o Hospital Regional de Santo Antônio de Jesus.
O suspeito, então, foi para a casa do ex-sogro, na cidade de Muniz Ferreira. Segundo Clara, no imóvel, ele ameaçou o sogro com uma faca e tentou agredir o pai dela, além de lançar spray de pimenta no filho de um ano. O bebê foi levado para o posto de saúde da cidade e passa bem.
Clara disse que ela já havia sido agredida outras vezes durante o relacionamento. Ela casou com o rapaz no final de 2016 e a separação ocorreu no dia 27 de abril deste ano, porque ela não aguentava mais a violência.
"Eu não denunciei porque eu achava que um dia ele ia parar de fazer. Acabei por conta disso, porque eu não aguentava mais", afirma a jovem.
Ela fala que o relacionamento piorou desde que o filho deles nasceu. "Ele disse que ninguém ia me querer por conta desse filho, ele me xingava o tempo todo", relembra.
A jovem diz que, depois de ter rompido o silêncio e ter visto a repercussão do caso dela nas redes sociais, muita mulheres procuraram ela para também relatar casos de violência. "Por um lado é bom, porque encoraja muitas mulheres. Muitas mulheres que procuram e contam situações parecidas ou até piores do que a minha", diz Clara.
G1Bahia