O nome do candidato a governador do grupo de oposição Pernambuco Quer Mudar deve ser anunciado no fim de maio. Os líderes agora preferem não cravar uma data, após as cobranças por não terem feito o lançamento no último dia 20, como haviam previsto, mas mantêm as articulações e preveem encerrar as discussões pelo menos para a cabeça da chapa majoritária nas próximas semanas, deixando para depois as negociações para vice e para as duas vagas ao Senado. Em meio à indefinição no PT e no MDB, dois nomes ganharam força: o do senador Armando Monteiro Neto (PTB), que reeditaria a disputa de 2014 com Paulo Câmara (PSB), e o do deputado federal Mendonça Filho (DEM), ex-ministro da Educação. Brigando na Justiça pelo comando do próprio partido e com mais quatro anos de mandato no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB) teria desistido de disputar o governo.
O grupo aguarda, entre outras circunstâncias que podem influenciar a eleição, a formação do palanque de Paulo Câmara. Para Mendonça Filho, essa espera é mútua e faz parte do processo. “A gente vai usar o tempo ao nosso favor”, afirma. “Não vamos fazer nada fora do tempo político. Os adversários não fecharam suas chapas, a única coisa que se sabe é que o governador é candidato, porque tem o instituto da reeleição, mas o resto não se conhece. Vamos ter a candidatura do PT? Por que nós temos que apressar o passo? Por que nós é que temos que fechar?”, questiona Armando Monteiro. “O próprio governo não está definindo sua chapa. Ter um pouco mais de tempo pode nos dar vantagem”, concorda ainda o deputado federal Daniel Coelho (PPS), apontado como possibilidade para a majoritária, mas que deve concorrer à reeleição para a Câmara por interesses nacionais do partido.
A frente ainda espera atrair partidos que compõem a base do governador. Mesmo sem especificar em que legendas isso poderia acontecer, Armando Monteiro admite que a oposição quer estar aberta para “incorporar novos apoios”. Poderia ser o caso do PSC do deputado estadual André Ferreira, que briga por uma das vagas ao Senado na Frente Popular e ao mesmo tempo mantém bom relacionamento com os nomes de destaque no Pernambuco Quer Mudar.
Tanto Mendonça quanto Armando evitam favorecer o próprio nome e enfatizam a unidade do grupo. Ambos afirmam que os dois estão bem colocados em pesquisas. “Não acho que tenha fortalecimento ou enfraquecimento de a, b ou c. A frente tem excelentes nomes”, diz o deputado. Armando fala ainda em transferência de votos entre as lideranças do Pernambuco Quer Mudar, que têm históricos distintos – enquanto o senador é ligado ao ex-presidente Lula (PT), o democrata é opositor dos governos petistas, por exemplo. “A soma do capital (eleitoral) de cada um dos candidatos é muito expressiva. Nós aparecemos bem”, afirma. “São candidatos que têm um lastro político forte. Terá tempo para poder fazer esse trabalho de coesão”, acredita o senador. Outros nomes da oposição veem na formação da chapa nas próximas semanas uma forma de viabilizar esse processo.
Nos primeiros atos da oposição, no fim do ano passado, Armando já aparecia como um dos principais pré-candidatos ao governo, mas ao lado de FBC, que agora tem a candidatura praticamente descartada por fontes, em reserva. “Estamos unidos e estamos aguardando uma melhor definição do quadro nacional para definirmos os nomes da nossa chapa. Nenhum nome está descartado nem eu me coloco fora da disputa”, afirma o emedebista.
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