Esta imagem é a representação de uma história de
sucesso. Uma história bem contada tanto quanto bem digerida por que a houve há
quase 20 anos. Na foto, dois dos principais comunicadores garimpados nas ruas e
sítios que compõem o município de Flores. Filhos daqui que cresceram como
qualquer um que vive aqui em Flores. Uma história veiculada no decurso de quase
20 anos, a partir de uma ideia pensada, estruturada e montada por quem sempre
amou a comunicação, especificamente o rádio.
Pioneiro da comunicação de massa, o rádio é um
veículo que integra os povos e, antes do surgimento da interatividade através
da internet e até mesmo da televisão, ele – o rádio – já interagia com as
pessoas, através do telefone e das cartas e recados. Paradoxalmente às grandes
virtudes que a modernidade nos proporciona, o rádio continua se utilizando das
mesmas técnicas de há 100 anos, usando cartas e telefone para interagir com o
cidadão.
Em Flores, esse veículo criou e cria até hoje
pessoas de dentro do seu próprio seio para contarem histórias, divertir e
animar os lares daqueles onde chegam as ondas sonoras da Rádio FLORESCER – FM
desde 1999. Por meio dela, nomes como os de Eddy Silva e Alberto Ribeiro, se
fizeram acontecer e crescer conjuntamente com o próprio sucesso da Rádio.
Expressão de uma época em que a comunicação em
Flores ainda dependia quase que exclusivamente de carros de som como o
Pinheirão Publicidade, a Rádio veio e trouxe junto com ela esses “Meninos”. Quase
todos criados por um amante da comunicação – Padre Assis Rocha. Um exímio
conhecedor de comunicação que trazia em sua bagagem, entre outras, a direção da
Rádio Pajeú de Afogados da Ingazeira.
Acreditando no impossível, padre Assis botou a
Rádio no ar com o auxílio de Anchieta Santos e Jucá Sá, utilizando um slogan
próprio dele: “Flores tem jeito”. Com essa frase, investiu no invisível e
apostou no bocado de moleques (permitam-me a ousadia) que se tornariam os
primeiros comunicadores e operadores de som da FLORESCER. Jonas Ramos,
Carlinhos do Alto (único que tinha algum conhecimento de locução), Penha
Vieira, Eddy Silva, Adelmo Silva e Tonny PC., ( que, por decisão própria, não
quis tornar-se locutor).
O decorrer do tempo demonstrou que sua aposta
ousada estava certa e na sequência surgiram outros nomes, como Alberto Ribeiro,
Adaci Barros, Cleiton Silva, Geo Gomes e Lucleide Duarte. Fora do estúdio,
atuavam Cosmo Queiroz, na secretaria e recepção e Helena Gomes na manutenção do
prédio, depois, substituída por sua irmã Luciana Gomes e seu então esposo
Sinésio. Aos poucos, a Rádio ia apresentando novas pessoas e formando novos
profissionais.
O tempo passou e muita gente passou pela FLORESCER,
a ponto de uma imagem de pessoas aparentemente tão simples e comuns se tornar
uma foto emblemática de pessoas que ajudaram a construir a comunicação em
Flores. Hoje, outros veículos de comunicação, como a Rádio Centro de PL
Produções, fazem fluir informações, reclames, divulgações, utilidade pública e
entretenimento na cidade. O que fortalece cada vez mais o vínculo que Flores
criou com sua população. De forma até meio egoísta e unilateral poderia
exemplificar a população através de pessoas como Cilene de Lucas de Santo,
Tamires Rafaela, Francisca da Lagoinha, Vera do Rosário, Agustinho da Pio XI (in memórian), Zé Cassimiro e tantos
outros que viveram juntos com os comunicadores o crescimento da FLORESCER. Muitos
desses já não estão por aqui, ou não ouvem mais a Rádio por questões diversas.
Outros continuam na mesma balada de sempre, ligando e se ligando na FLORESCER.
Dos que ali trabalharam, alguns, mesmo com suas
funções extra-rádio, continuam lá e dividem o espaço com novos comunicadores
como, Lucicleide Duarte (de uma fase intermediária da emissora), Edrícia
Santos, Marta Riniane e Vinícius Ferreira. Entre eles: Carlinhos do Alto, que é
funcionário público municipal, Alberto Ribeiro, que se elegeu vereador e está
no segundo mandato e Eddy Silva que também está no segundo mandato como
conselheiro tutelar. Outros seguiram seus rumos, mas continuam por aqui: Helena
e Luciana Gomes, Adaci Barros, Adelmo Silva e Tonny PC., Além de Cosmo Queiroz
que é blogueiro atualmente e abriu espaço para publicar essa crônica.
Alguns já não moram mais em Flores como, Penha
Vieira, que trabalha em Serra Talhada, Cleiton Silva, que se tornou militar e
advogado, Geo Gomes, que é contador no estado de São Paulo. Cada um seguiu seu
rumo, mas, vez por outra vem aqui e revive a aura encantadora da FLORESCER. A
única exceção é Jonas, paradoxalmente, o primeiro a cruzar o batente da
Emissora, foi também o primeiro a ir embora em definitivo, sem dizer para onde,
o que ia fazer e se iria voltar. Decerto, não volta.
Confesso que não sobreviveria se dependesse da vida
de fotógrafo, mas a foto tirada no dia 9 de novembro de 2017, nos remete a um
passado bonito, embora incerto que, no entanto, se tornou realidade, mostrando
que padre Assis em sua eterna ousadia estava certo em acreditar em um projeto e
transformá-lo em realidade.
No dia 5 de dezembro, às 05horas e 03 minutos da
tarde a FLORESCER atingirá a sua maioridade – 18 anos. Com os novos
comunicadores que desfilam todos os dias no seu rádio e com os “velhos” e
tarimbados pelos anos de convivência no Ar.
Padre Assis estava certo em investir nesses desconhecidos
“Meninos” e o resultado está aí, pois, através deles e dos que estão juntos com
eles, a Rádio FLORESCER continua “Falando do Coração da Cidade para o Coração
do Povo”.
*Associado fundador e foi diretor da Associação Cultural
FLORESCER – FM.
