Miguel Arraes é homenageado com lançamento de publicação e projeto de lei

Em um ato realizado no Palácio do Campo das Princesas, nesta sexta-feira (26), foi lançado o V Caderno de Memória e Verdade – IBAD Interferência do Capital Estrangeiro nas Eleições do Brasil, uma publicação da Comissão Estadual da Memória e Verdade Dom Hélder Câmara (CEMVDHC). O documento traz informações sobre o escândalo de corrupção político eleitoral de 1962. O fato foi denunciado pelo então governador de Pernambuco Miguel Arraes.
No lançamento do caderno, ainda foi assinado pela bancada federal um Projeto de Lei para incluir Miguel Arraes no Livro dos Heróis da Pátria. A publicação integra o acervo do “Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves”, em Brasília.
A solenidade, que contou com a presença de membros da família Arraes e da sociedade civil, políticos e secretários do Governo fez parte das comemorações em torno do ano do centenário do ex-governador. Entre os presentes, a ministra do Tribunal de Contas da União (TCU) Ana Arraes; a ex-primeira-dama do Estado Renata Campos e o chefe de gabinete do Estado, João Campos; além Sevi Madureira, que representou a família do ex-deputado federal Pedro Eugênio; Vera Paiva, filha de Rubens Paiva; e Padre Aleixo, filho de Pedro Aleixo.
O político foi gestor de Pernambuco até 1964, quando foi preso ao se negar a renunciar ao cargo. O Caderno traz o escândalo da CPI do IBAD que foi instaurada em 1963 e funcionou no Congresso antes do golpe de 1964. O dossiê denuncia o financiamento na compra de apoio de candidatos opositores à esquerda. Também ressalta o depoimento de Miguel Arraes no dia da instauração da Comissão Parlamentar. A publicação pode ser conferida aqui.
Os documentos da CPI foram entregues à Comissão da Verdade em 2014 pelos deputados federais Pedro Eugênio (PT) – já falecido – e Luiza Erundina (PSB). Segundo Henrique Mariano, secretário-geral da organização, até então eles permaneciam inéditos e “configurados quase como um segredo de estado”.
Representando a família, José Almino Arraes, filho de Arraes, fez um discurso lembrando o ex-governador, falou do simbolismo do ato ser realizado no Palácio e disse que seu pai foi “um patriota”. “Meu pai, por toda vida, foi um homem que construiu frentes políticas e reuniu apoios diferentes”, afirmou. José Almino ainda brincou, citando “a fonética dos Arraes”.
O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), que participou da solenidade, ressaltou a atuação de Arraes. “Com certeza, é uma contribuição para a nossa democracia, e para mostrar o trabalho de grandes brasileiros, como o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes, que lutaram muito por democracia e tiveram direitos políticos cassados. Hoje a gente faz uma justa homenagem a ele por tudo o que ele fez e representou para a democracia”, disse.