França e Estados Unidos ficam sabendo que dois líderes de
organizações anti-gay são homossexuais. Haverá, no Brasil, auto-repressão
semelhante?
Por Altamiro Borges, em seu blog
Jair Bolsonaro, Silas Malafaia, Marco Feliciano e outros
homofóbicos nativos perderam dois importantes aliados da sua causa de ódio no
cenário internacional. A revista francesa “Closer” revelou que Florian
Philippot, um dos vice-presidentes do partido neonazista Frente Nacional (FN),
que se opõe ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, é homossexual. Já no
final de novembro, o estadunidense John Smid, que militou por 18 anos numa
organização que pregava a “cura-gay”, oficializou a sua união com o parceiro Larry
McQueen. Os dois casos talvez pudessem ajudar os homofóbicos de plantão no
Brasil, sempre tão agressivos e intolerantes, a repensar as suas práticas…
No caso do dirigente da FN, ainda há controvérsias. O seu chefe
do gabinete, Joffeey Bollée, afirmou que o político “provavelmente” processará
a revista “por violação da vida privada”. Já Marine le Pen, líder da seita
fascista, disse que a matéria é um “atentado contra a liberdade individual”. A
“Closer” publicou uma reportagem especial de quatro páginas com fotos de
Florian Philippot em Viena (Áustria) acompanhado de seu suposto companheiro,
identificado como “um jornalista de televisão”.
Já no caso do estadunidense, o próprio John Smid anunciou a sua
união com o parceiro Larry McQueen. Durante quase 20 anos, ele militou em uma
organização fascistóide que considerava a homossexualidade um pecado,
incentivava as pessoas a rezarem para que não sentissem atração por outras do
mesmo sexo e acreditava que a orientação sexual de alguém poderia mudar. Entre 1990
e 2008, ele foi diretor-executivo do grupo “Love in Action”, que atuava na
difusão da chamada “cura gay”. Além de assumir sua homossexualidade e de
celebrar sua união homoafetiva, John Smid também fundou a organização Grace
Rivers para os gays cristãos.
Em
recente entrevista, John Smid pediu desculpas aos que acreditaram na sua
pregação da “cura gay” e explicou os motivos das suas escolhas. “Eu tinha fé de
que algo iria acontecer, mas isso nunca aconteceu. Agora, na minha idade, já
não tenho muitos anos restantes, não posso viver mais assim pelo resto da minha
vida. Então pensei que não, não estou disposto a continuar empurrando algo que
não vai ocorrer”. Bolsonaro, Feliciano, Malafaia e outros homofóbicos
hidrófobos também deveriam repensar os seus dogmas. Ainda há tempo.
Colaboração: Prof. Marcio Siqueira
