Máfia das próteses – um dos motivos do ódio da classe médica ao programa “Mais Médicos”


Esquema mafioso que vem enriquecendo muitos profissionais da saúde as custas da desgraça alheia
Já imaginou médicos que mandam fazer cirurgia de próteses sem necessidade, só pra ganhar comissão dos preços desses implantes? Ou então gastar muito mais material do que o necessário, também para faturar um dinheiro por fora?
Esses golpes milionários, dados pela máfia das próteses, são o tema da reportagem de Giovanni Grizotti, anunciada no Fantástico do último ia 4/01/2015, que revelou um retrato escandaloso do que acontece dentro de alguns consultórios e hospitais do Brasil. O Fantástico investigou, durante três meses, um esquema que transforma a saúde do país em um balcão de negócios. O repórter Giovani Grizotti viajou por cinco estados e se passou por médico para flagrar as negociatas. Empresas que vendem próteses oferecem dinheiro para que médicos usem os seus produtos.
No esquema rola presentes e pagamento de comissões a médicos como uma prática comum, e não vem de hoje. Foi o que concluiu uma pesquisa do Conselho Regional de Medicina de São Paulo, entre 2009 e 2010. 37% dos entrevistados admitiram que receberam presentes com valor superior a R$ 500 nos 12 meses anteriores à pesquisa. E o assédio começa cedo, logo na faculdade: 74% dos entrevistados disseram que receberam ou viram um colega receber benefícios da indústria durante os seis anos do curso de medicina.


“O Código de Ética Médica veda essa interação, com o intuito de vantagens, com a indústria e/ou a farmácia. Óbvio que as punições são previstas em lei. Estabelece desde uma censura e a até mesmo a cassação do exercício da profissão”, explica Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina. Mas não é a ética que preocupa os vendedores de próteses que pagam comissões a médicos. “A gente sabe que esses órgãos não vão discutir nada disso, porque isso é uma discussão sem fim”, diz um vendedor.

Colaboração: Prof. Marcio Alexandre